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Bom Filho

Bom Filho

31 de Março, 2021

A Covid-19 nas escolas

31.º episódio de «Perspectivas em saúde», na Sinal TV [visitar]

Veja este artigo em vídeo:

Ou leia o texto:

Olá!

Um dos sectores que gera mais preocupação em relação à Covid-19 é a escola. Lembro-me de, quando tudo começou, muita tinta ter corrido sobre a importância de encerrar as escolas, como forma de limitar o contágio, e dede facto, essa medida ter sido tomada, no primeiro estado de emergência [ver fonte].

Mas vamos aos factos: as crianças em idade escolar não são um grupo de risco. Os adolescentes já têm idade para saber usar máscara e manter o distanciamento social — além de que também não são um grupo de risco. Os professores e restante pessoal também não são grupo de risco, regra geral, embora possam sê-lo, em determinadas circunstâncias (isto é, se forem doentes crónicos, ou forem mais velhos), mas isso são situações que têm de ser tratadas individualmente. Ou seja, as escolas não são ambientes, por si sóde risco mais elevado do que qualquer outro local de trabalho.

Por outro lado, encerrar escolas tem múltiplas consequências nocivas. A mais básica de todas é a repercussão nos pais e nas famílias. Se não há escola, alguém tem de ficar com as crianças, sobretudo as mais pequenas, em casa, durante o dia. Se for o pai ou a mãe, é uma baixa no local de trabalho. Se forem os avós, é pior a emenda que o soneto, pois, aí sim, estamos a aumentar o risco para alguém que pertence a um grupo de risco, pelo factor da idade. Mas também tem consequências nocivas para a própria criança, porque confiná-la em casa tem tão graves ou ainda maiores consequências para a sua saúde mental, do que confinar um adulto. Prejudica a sua aprendizagem, porque o ensino à distância não permite explorar da mesma forma as matérias que são ensinadas, nem acompanhar de forma tão próxima as dúvidas e as dificuldades de cada aluno. E contribui para agravar as desigualdades, já que o estatuto socioeconómico pode ditar o acesso a um computador, à internet, a aulas de apoio, enfim, retira à escola a sua função de promotora da igualdade de oportunidades.

Então, se o custo social de encerrar uma escola apenas permite um ganho marginal em termos de saúde, a decisãodesde o início deste ano lectivo, foi de não encerrar escolas, a não ser como medida extrema e em caso de extrema necessidade.

Portanto, que medidas se tomam, em termos de saúde pública, em relação às escolas? As mesmas que se tomam em relação ao resto — e chegam perfeitamente.

Como a prevenção é a melhor arma que temos contra a Covid-19, prevenimos também nas escolas. Cada escola preparou o ano lectivo e executou o primeiro período à luz dum plano de contingência elaborado com o apoio das autoridades de saúdede modo a garantir que o risco de contágio era mínimo — e assim aconteceu: os casos de Covid-19 associados às escolas são uma proporção mínima da totalidade de casos notificados. Para o segundo período, a estratégia será a mesma. Resta a todos os envolvidos seguirem à risca as recomendações.

Quando surge um caso numa escola, faz-se então o inquérito epidemiológico, exactamente nos mesmos moldes em que se faz no resto das situações: identificam-se as pessoas que estiveram expostas ao doente em situações de alto risco e isolam-se. Podem ser alunos, professores ou pessoal não docente; muitas vezes, isola-se uma turma inteira.

Note-se ainda que, tal como eu também já disse aqui [visitar]os pais dos alunos que ficam de quarentena por terem um colega com Covid-19 não são contactos directos do doente e não precisam de ficar eles mesmos em quarentena. Podem é precisar de ficar em casa para tomar conta dos filhos que estão em quarentena, se estes forem pequenos, mas isso trata-se através da Segurança Social, mediante a apresentação da declaração de isolamento profilático do filho.

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