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Bom Filho

Bom Filho

07 de Setembro, 2021

A terceira dose da vacina da Covid-19 e o Programa Nacional de Vacinação

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Olá!

Tem-se falado muito na terceira dose da vacina contra a Covid-19: se é precisa, se não; se sim, quanto tempo depois da segunda; e, se sim, se é ético dar três doses nos países ricos, enquanto há pessoas sem nenhuma nos países pobres…

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que administrar três, quatro, cinco doses da mesma vacina não é novidade alguma: uma pessoa pode tomar dez ou mais doses de vacina contra o tétano ao longo da vida, só para citar um exemplo; e, até aos cinco anos de idade, tomam-se cinco doses de vacinas contra a poliomielite, a difteria e a tosse convulsa [ver mais]. Portanto, não há motivo para acharmos estranho dar três (ou quatro, ou cinco) doses da vacina contra a Covid-19.

As doses de vacina dão-se em função do que se vai aprendendo sobre as vacinas. Os estudos da vacina contra a Covid-19 chamados de fase III, que envolvem dezenas de milhar de pessoas, arrancaram faz mais ou menos um ano. Esses estudos demonstraram que a vacina é eficaz a prevenir formas graves da doença e a morte por causa disso e, em grau ligeiramente menor, também eficaz a prevenir a transmissão. Mas, se os estudos começaram há um ano, nós só sabemos que essa eficácia dura um ano. Com a passagem do tempo, o efeito da vacina pode ir sendo perdido — aliás, é por isso que se tomam dez ou mais doses da vacina contra o tétano: toma-se uma nova dose, quando o efeito da anterior passa. Portanto, daqui a dez anos, saberemos se a vacina contra a Covid-19 protege durante dez anos.

Para além desta característica intrínseca da vacina, há a questão do próprio vírus: o vírus não é uma entidade estática, é uma entidade que evolui — como, de resto, evoluem todos os seres vivos. Quando se fala de variantes [ver mais], está-se a falar dessa evolução; e sabemos que a variante Delta (e mais recentemente a Mu) podem reduzir a eficácia das vacinas. A solução para esta redução da eficácia pode ser a administração de doses de reforço — a terceira dose, portanto.

Portanto, o que os estudos mais recentes nos mostram é que a terceira dose pode permitir resolver estes dois problemas: por um lado, reforçar o sistema imunitário, evitando a redução da eficácia da vacina com a passagem do tempo, e por outro, aumentar a protecção contra a variante Delta.

Mas, tendo em conta tudo o que eu acabei de dizer, não estamos livres de que venham a mostrar-se necessários novos reforços, considerando a evolução da eficácia da vacina, o aparecimento de novas variantes e a transição da pandemia para uma fase endémica, ou seja, de permanência da Covid-19 entre nós a longo prazo. Isso pode significar, em última instância, a necessidade de incluir a vacina contra a Covid-19 no Programa Nacional de Vacinação. Aliás, quanto mais tempo demorarmos a vacinar toda a população mundial, mais provável este cenário se torna.

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