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Bom Filho

Bom Filho

27 de Abril, 2021

A vacina contra a Covid-19 dispensa o uso de máscara?

47.º episódio de «Perspectivas em saúde», na Sinal TV [visitar]

Veja este artigo em vídeo:

Ou leia o texto:

Olá!

As vacinas contra a Covid-19 têm sido apresentadas como a solução para a pandemia [ver fonte].

Não vou aqui dizer o contrário, mas vou relembrar o que disse em Novembro do ano passado, para pôr um pouco de água na fervura [visitar]:

Mesmo que tudo corra bem e seja o mais rápido possível, é depois preciso conseguir ainda produzir e administrar milhões de doses de vacina. Os laboratórios farmacêuticos têm uma capacidade de produção limitada. Por exemplo, a Moderna anunciou quinhentos milhões de doses por ano, o que não chega para vacinar sequer dez por cento da população mundial [ver fonte]. Para a Europa, estão reservados oitenta milhões de doses [ver fonte], o que permitiria cobrir menos de dez por cento da população europeia (não esquecer que a Moderna referiu que seriam provavelmente necessárias duas doses de vacina por pessoa [ver fonte]). Por muito que aumentemos a capacidade de produção, nem toda a gente vai poder ser vacinada de imediato.

Até porque, mesmo que tivéssemos um fornecimento ilimitado de vacinas, teríamos ainda o problema de operacionalizar a sua administração. Não temos doses infinitas, mas também não temos enfermeiros infinitos, para as administrarem às pessoas; nem temos instalações infinitas, para os enfermeiros fazerem o seu trabalho; planear, criar condições para a execução e executar de facto toda a operação de vacinação leva o seu tempo. Por muito rápidos que sejamos, estamos a falar de meses.

[…]

Mas não basta analisar a eficácia inicial da vacina. É preciso saber se essa eficácia é duradoura. Ainda não sabemos muito sobre a imunidade produzida pela infecção pelo coronavírus, mas os estudos existentes até à data não nos permitem assumir que as vacinas produzam imunidade duradoura [ver fonte]. Por outras palavras, pode ser necessário vacinar a população todos os anos, para garantir a continuidade da imunidade.

Resumindo e concluindo, há demasiadas incógnitas e demasiados obstáculos, para podermos dizer com segurança que a vacina nos permitirá retomar a vida que tínhamos antes da pandemia, muito menos já para o ano que vem.

Isto continua válido. Mas, a este problema logístico, acresce um outro problema, de que também já falei em Fevereiro passado [visitar]:

Aos obstáculos que eelenquei na altura, junta-se mais um: o aparecimento de novas variantes do coronavírus. Tal como eu disse, na altura, a rápida mutação do vírus causador da sida é um dos motivos pelos quais não temos — e possivelmente nunca viremos a ter — uma vacina contra essa doença. No caso do coronavírusa velocidade a que ocorrem mutações é mais baixa e isso facilita a vida às vacinas.

[…]

Apenas o futuro dirá quem ganhará esta corrida: nós ou o coronavírus. Mas uma coisa é certa: mesmo com vacinas, lavar as mãos, usar máscara e manter o distanciamento continuam a ser as melhores armas que temos contra o coronavírus.

Dito isto, coloca-se uma questão: ainda que a vacina ainda não tenha chegado a toda a gente, o que nos impede de generalizar a retoma da vida normal, que tínhamos até ao fim de 2019, quem já está vacinado pode fazê-lo? Ou seja: quem já foi vacinado pode deixar de usar máscara?

A Orientação da Direcção-Geral da Saúde sobre o assunto [ver] permanece inalterada. O mesmo é dizer que as recomendações quanto ao uso de máscara, em Portugal, não se alteraram, por causa da vacina.

No entanto, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças [visitar] emitiu no passado dia 21 de Abril um guia provisório [ver] sobre a utilização de máscara por pessoas vacinadas. Em resumo, as novas recomendações do ECDC são:

  • Pessoas vacinadas (com duas doses) podem relaxar o distanciamento e o uso de máscara, se estiverem com outras pessoas vacinadas (também com duas doses);
  • Pessoas não vacinadas que vivam juntas podem relaxar o distanciamento e o uso de máscara na presença de pessoas vacinadas (com duas doses), se não tiverem factores de risco para formas graves de Covid-19 ou, no caso dos vacinados, factores de risco para uma baixa eficácia da vacina;
  • Pessoas vacinadas (com duas doses) podem, em certos casos, após decisão da autoridade de saúde, dispensar a quarentena, se estiverem expostos a um doente;
  • De igual forma, pessoas vacinadas (com duas doses) podem, em certas situações, ser dispensadas de realizar teste para viajar ou trabalhar, se as entidades competentes assim determinarem;
  • Em todos os espaços públicos (cafés, restaurantes, supermercados, etc.) e nos grandes ajuntamentos de pessoas, todas as medidas actualmente recomendadas, incluindo o distanciamento e o uso de máscara, devem continaur a ser cumpridas por toda a gente, incluindo as pessoas vacinadas.

Já é melhor do que nada. Mas a responsabilidade individual de cada em se proteger e em proteger os outros continua a ser a coisa mais importante na luta contra a Covid-19.

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