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Bom Filho

Bom Filho

28 de Março, 2021

A vida nos lares

28.º episódio de «Perspectivas em saúde», na Sinal TV [visitar]

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Ou leia o texto:

Olá!

Lar: «local onde mora uma família», segundo o dicionário [visitar]. Daí a expressão: «lar, doce lar», significando o local onde encontramos protecção, abrigo e o carinho dos que connosco partilham o lar.

Mas o dicionário também define lar como «instituição que fornece serviços e assistência a um grupo específico de pessoas», identificando depois lares de estudantes e lares de idosos como exemplos [visitar].

Hoje em dia, mudámos o nome aos lares de idosos e passámos a chamar-lhes ERPI: estrutura residencial para pessoas idosas — o que ganhou bastante em assepsia, mas cresceu proporcionalmente em frieza.

Retomemos, portanto, a palavra lar, tanto para o lar familiar como para o lar de idosos — porque, no fundo, ambos se tratam da mesma coisa: da casa das pessoas. E, na casa das pessoas, não me parece adequado quem lá vive andar de máscara. Quer dizer, o lar tem de ser o último reduto da vida normal — não este novo normal distante e mascarado, mas o que é normal na essência do ser humano e era a vida normal até Fevereiro deste ano: andar de cara descoberta, em proximidade dos que nos rodeiam e são queridos.

Daí que as famílias não precisem de usar máscara em casa, excepto se receberem visitas, e, nesse caso, devem usá-la mesmo que as visitas sejam outros familiares.

Mas daí também que não passe pela cabeça de ninguém com um mínimo de compaixão e empatia obrigar as pessoas mais velhas, que vivem na sua ERPI, a estar de máscara dentro da instituição a que chamam lar! Sobretudo, porque uma parte não despicienda dos idosos a residir em lares de idosos pouco ou nada sai para o exterior, de modo que o seu maior risco de virem a adoecer com Covid-19 é se as pessoas do exterior levarem o vírus para o interior.

Então, se o risco está no trânsito entre o exterior e o interior da instituição, onde importa investir é em prevenir esse contágio e é o que se tem feito, tanto a nível dos trabalhadores de lares de idosos, como dos familiares que efectuam visitas. Nunca é demais lembrar que as pessoas que trabalham em lares de idosos têm uma responsabilidade enorme: as suas escolhas e as suas acções no dia-a-dia, na sua vida pessoal inclusive, podem colocar em risco, não só a saúde, mas a própria vida das pessoas de quem cuidam na instituição onde trabalham. Todos temos a obrigação de nos protegermos e de travarmos o contágio. Mas estas pessoas têm uma obrigação extra: além de se protegerem, têm de proteger os idosos de que cuidam.

Por outro lado, as visitas a lares de idosos têm sido suspensas de forma intermitente. Esta é a segunda via de prevenção, mas que tem também as suas consequências nefastas. A falta de visitas dos familiares nos lares de idosos contribui decerto para a deterioração da qualidade de vida das pessoas que lá vivem, sobretudo em termos de saúde mental. Basta imaginarmos o que seria, para nósanular o convívio com a família: é disso que estamos a falar, quando restringimos as visitas aos lares de idosos.

Daí que seja tão importante — como em tudo o resto, na verdade — tentarmos levar uma vida tão normal quanto possível. No caso dos lares de idosos, isso significa tentar manter ao máximo a possibilidade de se fazerem visitas, pugnando ao mesmo tempo por que estas se façam com o máximo de segurançaA Direcção-Geral da Saúde tem uma orientação específica sobre este assunto, a 9/2020, cuja consulta recomendo vivamente [visitar].

No resto da vidaa mesma coisa: fazer agora o que for essencial, com o máximo de segurança, e deixar o acessório para mais tarde, para quando isto passar. Porque há-de passar, disso não tenhamos dúvidas. O que está nas nossas mãos, agora, é somente decidir quanta dor vamos infligir a nós mesmos, até isto passar.

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