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Bom Filho

Bom Filho

01 de Abril, 2021

Diferenças entre os diversos tipos de testes para a Covid-19

32.º episódio de «Perspectivas em saúde», na Sinal TV [visitar]

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Olá!

Existem três tipos de testes para a Covid-19 disponíveis: moleculares, de antigénio e imunológicos. Hoje, vamos ver adiferenças entre cada um e que uso lhes podemos dar.

O teste molecular é também conhecido por PCR, pois é feito com recurso a uma técnica com esse nome — a polymerase chain reaction, ou reacção em cadeia da polimérase. Na verdade, a PCR é só um dos passos do teste, mas creio que seria demasiado prolixo explicar detalhadamente em que consistem todos os passos, portanto vamos só ficar com o essencial. O coronavírus, à semelhança de todos os seres vivos, contém material genético, o qual codifica a informação necessária a produzir as proteínas que o compõem. O teste molecular, o que faz é identificar a presença (ou não) desse material genético na amostra retirada do nariz da pessoa a testar. Porquê o nariz? Porque o seu interior é uma das zonas onde o vírus se acumula em maior quantidade, quando estamos infectados. Daí que se use uma zaragatoa, que é uma espécie de cotonete comprida, para retirar um bocadinho de muco através do nariz e depois se procure o material genético do vírus através do teste molecular. Se vier positivo, quer dizer que há material genético do vírus e, onde há material genético, há vírus…

O segundo tipo de teste é o teste de antigénio. Antigénio é um pedaço de vírus que é reconhecido como estranho pelo corpo humano e desencadeia a produção de anticorpos. É possível replicar essa reacção num laboratório e conseguir, assim, identificar a presença, já não do material genético, mas do próprio vírus. Para isso, é preciso colher uma amostra, também com uma zaragatoa e também através do nariz da pessoa que se vai testar. A razão é a mesma: se vamos procurar pedaços do vírus, convém procurá-los no sítio onde o vírus se acumula mais…

Antes de passarmos aos testes imunológicos, que são diferentes, vamos comparar estes dois. Em princípio, poder-se-ia pensar que procurar pedaços do vírus propriamente dito seria mais fidedigno do que procurar o seu material genético, mas não. Os testes de antigénio são menos sensíveis do que os testes moleculares, de modo que um resultado positivo, em princípio, pode ser aceite como tal, mas um resultado negativo pode bem ser um falso negativo e não dispensa a confirmação por teste molecular. A principal vantagem dos testes de antigénio é serem mais rápidos e baratos do que os testes moleculares, permitindo por isso uma resposta mais rápida e em larga escala.

Passemos entãaos testes imunológicos. Os testes moleculares e de antigénio dão o mesmo tipo de informação, cada um com as suas vantagens e limitações: se o vírus está ou não presente no corpo da pessoa testada. Já os testes imunológicos, também designados serológicos, porque implicam testar uma amostra de sangue, por seu lado, permitem saber se a pessoa testada tem anticorpos contra o coronavírus. Para ter anticorpos, tem de ter sido exposta ao vírus e infectada, mas tem também de ter tido tempo de desenvolver uma resposta do sistema imunitário. Por isso, os testes imunológicos não nos permitem saber se a pessoa está infectada, porque pode estar no início da infecção e ainda não ter anticorpos detectáveis, ou pode já estar curada e ter ficado com anticorpos em circulação, que depois vão permitir garantir a imunidade futura à doença.

Qual é a utilidade prática dos testes imunológicos, então? Permitem identificar quem foi infectado, mesmo que não tenha desenvolvido sintomas e já tenha eliminado o vírus, pelo que são extremamente importantes para termos um panorama geral da propagação da infecção em Portugal, sem ficarmos limitados à identificação daqueles que desenvolveram sintomas. E são também importantes, para avaliar, numa primeira fase, a eficácia das vacinas em desenvolvimento. Uma vacina, para ser eficaz, tem de, em primeiro lugar, gerar a produção de anticorpos, que sãdepois detectados pelos testes imunológicos. Sem testes imunológicos, o processo de desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 teria sido muito mais lento, complicado e arriscado.

Resumindo e simplificando: se precisamos de detectar um grande número de casos de forma rápida, o ideal é um teste de antigénio; se precisamos de ter a certeza no diagnóstico, o ideal é um teste molecular; e, se precisamos de identificar quem já teve contacto com o vírus, o ideal é um teste imunológico.

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