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Bom Filho

Bom Filho

04 de Abril, 2021

Isolamento e quarentena

35.º episódio de «Perspectivas em saúde», na Sinal TV [visitar]

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Olá!

Isolamento e quarentena: vamos lá ver se clarificamos exactamente quem tem de fazer o quê. Isolamento é para os doentes e quarentena — ou isolamento profilático — é para os contactos dos doentes.

No caso específico da Covid-19, há um cruzamento entre a gestão clínica da doença e a gestão dos riscos para a saúde pública de estar doente. A maioria dos doentes que não necessitam de hospitalização, sobretudo os assintomáticos, também não precisam doutros cuidados médicos que justifiquem ficar de baixa em casa; o motivo por que ficam tem que ver com prevenir a possibilidade de, enquanto estão doentes, contagiarem outras pessoas. Então, desde que estejam assintomáticos, ou, tendo desenvolvido sintomas, já tenham recuperado há pelo menos três dias, podem ter alta ao fim de dez dias. Porquê dez dias? Porque, ao fim de dez dias, o tal risco de contagiarem outras pessoas é já muito baixo. No caso das pessoas hospitalizadas, o risco de contágio é maior e, por isso, só ao fim de vinte dias podem ter alta. A regra dos vinte dias também se aplica a profissionais de saúde e a profissionais de lares de idosos, se ao fim dos dez dias ainda tiverem um teste positivo. Porquê? Porque o risco, ao fim de dez dias, é baixo, mas, ao fim de vinte dias, ainda é mais baixo e, como estamos a falar de grupos de risco (pessoas doentes num caso e idosos no outro), todo o cuidado é pouco.

Passemos então aos contactos. A lógica aqui é totalmente diferente: não é quanto tempo aquela pessoa corre o risco de contagiar alguém, mas sim quanto tempo aquela pessoa, se tiver sido contagiada, vai demorar até ficar doente. O que nós sabemos é que podem passar duas semanas até uma pessoa desenvolver sintomas e pode passar, em média, uma semana até haver carga viral suficiente para ser detectável no teste. Por consequência, todas as pessoas com contacto de alto risco com uma pessoa doente devem ficar catorze dias em quarentena e não devem ser realizados testes de rastreio antes de passar sete dias sobre o último contacto com a pessoa doente. Muito menos devem ser realizados testes a pessoas que não estão em quarentena, pois o teste é supletivo e não substitutivo da quarentena. Aliás, nem sequer se justifica testar todas as pessoas que ficam em quarentena.

Mas isto são só meia dúzia de princípios gerais e, como tudo na vida e em particular na saúde, as exceções são abundantes. Daí que seja necessária uma avaliação caso a caso pelas autoridades de saúde, que darão as indicações específicas para cada caso particular.

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