Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Bom Filho

Bom Filho

30 de Março, 2021

Onde está o delegado de saúde?

30.º episódio de «Perspectivas em saúde», na Sinal TV [visitar]

Veja este artigo em vídeo:

Ou leia o texto:

Olá!

No início de Outubro, eu disse, numa entrevista que de[visitar]o seguinte:

Sempre esta mensagem: a importância de protegermos a nós e aos outros, porque, sem isso, vamos ser muito claros: não há autoridade de saúde que possa salvar a situação.

O número de casos, daí para cá, cresceu bastante, mas a mensagem continua exactamente a mesma — e eu também disse, na altura, que [visitar]:

o é a acção repressiva das autoridades de saúde que vai resolver o problema; é a acção responsável, individual, de cada um que vai resolver o problema.

obrigação das autoridades de saúde é, antes de mais, informar. Explicar como se transmite a Covid-19, o que é uma gotícula e o que é uma superfície [visitar]. A importância de explicar isto é fácil de perceber: há um número limite de situações que podem ser equacionadas pelas autoridades de saúde. É possível emitir recomendações específicas sobre precauções a tomar em portos e aeroportos, empresas, hotéis, lares de idosos, locais de atendimento ao público, serviços prisionais, hospitais e maternidades, consultórios dentários, clínicas de hemodiálise, escolas, centros de estudos e creches, transportes públicos, igrejas, espaços culturais,  ginásios, estaleiros de obras — e a DGS tem orientações específicas para cada um destes contextos que acabei de elencar. Mas é impossível prever todas as circunstâncias individuais com que cada pessoa se vê confrontada no seu dia-a-dia. Portanto, a melhor forma que temos para combater a transmissão da doença é dar a cada um o conhecimento necessário para, com base nesse conhecimento, fazer as escolhas correctas em cada situação com que se depare no seu dia-a-dia.

Por outro lado, a Covid-19 está connosco há um ano, se contarmos a partir da data em que foram relatados os primeiros casos na China, e há oito meses em Portugal. Mesmo com a vacina, vai continuar connosco por largos meses, ainda. É realista assumir que as autoridades de saúdeo Governo, as câmaras municipais, as autoridades policiais vão conseguir manter toda a gente sob vigilância apertada durante mais dum ano? Prender cada pessoa que saia de casa sem máscara? Multar cada pessoa que a deixe escorregar para baixo do nariz em público? Transformar Portugal num Estado policial? Não me parece, até porque o poder repressivo tem limites, mesmo num estado policial. Se assim não fosse, nunca teria havido um 25 de Abril, porque o Estado Novo o teria reprimido mesmo antes de acontecer, quando ainda não passava duma conspiração… Portanto, já que não é possível pôr um polícia atrás de cada pessoa, por maioria de razão o papel pedagógico das autoridades de saúde tem de ser predominante.

E, mesmo que fosse possível fechar toda a gente em casa, ou controlar todas as acções de cada pessoa, numa distopia orwelliana, seria desejável fazê-lo na prática? Eu também já alertei aqui [visitar] para os riscos de nos focarmos demasiado na crise sanitária e esquecermos que pessoas fechadas em casa geram desemprego e miséria, a ocorrência oo agravamento doutras doenças e problemas do foro mental. Portanto, temos de levar uma vida tão normal quanto possível e, para isso, precisamos de saber exactamente que comportamentos adoptar para evitar o perigo.

É por isso que é tão importante que cada entidade, pública ou privada, independentemente da sua missão, tenha um plano de contingência; e é também por isso que é tão importante explicarmos, as vezes que for preciso, o que é uma gotícula e o que é uma superfície.

Fora isso, as autoridades de saúde também identificam os focos de contágio, através da realização de inquéritos epidemiológicos aos casos que vão surgindo; e o que esses dados nos dizem é que o que está a falhar é, principalmente, essa acção individual de cada um no combate ao contágio. Pelo visto, a informação ainda não chegou a toda a populaçãoou chegou mas não foi em dose suficiente e na forma adequada para fazer alterar comportamentos.

Duma forma ou doutra, a prevenção continua a ser a melhor arma que temos contra a Covid-19. Usemo-la. Porque, se não prevenirmos, repito o que disse no início de Outubro: se cada pessoa não se precaver no seu dia-a-dia, não há delegado de saúde que nos salve.

Gostaste? Partilha e deixa quem gostas gostar também!