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Bom Filho

Bom Filho

14 de Setembro, 2021

Que complicações pode trazer o uso da máscara?

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Olá!

Andamos há mais dum ano mascarados. Que complicações pode isso trazer?

Do ponto de vista físico, nenhuns. Tirando as pessoas que, por força da idade ou do estado mental (doentes autistas ou pessoa claustrofóbicas, por exemplo), sejam incapazes de tolerar uma máscara ou perceber por que a devem usar, não há circunstâncias credíveis que justifiquem a sua não utilização. O argumento de que as máscaras podem levar a dificuldade em respirar é falso: não há dados científicos experimentais nem leis da física que fundamentem essa alegação e, se até os doentes a aguardar transplante pulmonar consequem usar uma máscara, qualquer pessoa consegue.

O perigo de andarmos todos mascarados é de outro tipo: mental, social, afectivo e do desenvolvimento infantil [ver mais].

Em termos mentais, uma pessoa que usa máscara pode ser inconscientemente associada, pelas outras pessoas que a vêem, com características pessoais positivais, tais como prudência e responsabilidade, enquanto uma pessoa que se recusa a usar máscara pode ser vista negativamente, como imprudente e irresponsável. Isto leva a uma norma, legal ou social, de utilização de máscara e à exclusão das pessoas que não se conformem à norma, mesmo para além do razoável.

Esta norma entra já no domínio social, sendo agravada pela possibilidade do uso da máscara como mensagem social em si mesma: usar ou não usar como forma de ser e de estar; e mesmo imprimir mensagens políticas, religiosas, morais nas máscaras, para transmitir uma mensagem sem falar. A este propósito, não é descabido notar que, em vários países europeus, cobrir a cara em público, nomeadamente com véus islâmicos, é ilegal, por razões de responsabilidade legal, laicidade do Estado e tratamento igual dos cidadãos. No entanto, agora, é ilegal mostrar a cara. Isto levanta uma questão de fundamentação legal das anteriores proibições.

Ainda no domínio social, surge a questão da moda. As máscaras rapidamente foram adoptadas pelas marcas de moda e, tal como a roupa pode servir de identificador social, também as máscaras comunitárias agora podem, até porque os seus preços podem variar numa ordem de grandeza.

No domínio do afecto, a máscara distancia as pessoas, mais até do que o distanciamento físico. Por um lado, a máscara é um marcador do medo: nós usamos máscara, porque temos medo de apanhar uma doença, se o não fizermos. É também um marcador da desconfiança: nós usamos máscara, porque desconfiamos de que o outro possa estar em período de incubação da doença e nos vá pegar Covid-19. Mas é também uma barreira à comunicação não verbal: é impossível trocar sorrisos, ou mesmo interpretar algumas expressões faciais só através do olhar.-

Esta impossibilidade de distinguir expressões faciais pode ser particularmente para as crianças; daí que o uso de máscara possa ter implicações no desenvolvimento infantil. O cérebro em desenvolvimento dos bebés e das crianças necessita de aprender a associar as expressões faciais que vê às emoções que sente e a máscara é uma barreira óbvia a tal aprendizagem, que terá implicações no futuro emocional e psicológico das crianças. Mas não é só em termos de emoções que a máscara prejudica o desenvolvimento das crianças: também o desenvolvimento linguístico fica em risco, com atraso no desenvolvimento da linguagem devido à dificuldade em ver como se pronunciam as consoantes. O som não basta, à vezes, para diferenciar consoantes que, sendo parecidas, se pronunciam com partes diferentes da boca (lábios, dentes, língua…) e só ao olhar para a boca dos adultos é que as crianças podem aprender essa distinção.

Resumindo e concluindo: as máscaras não são neutras, pelo que os benefícios da sua utilização têm de ser ponderados, dia a dia, com os perigos dessa utilização. Em primeiro lugar, é preciso debater os riscos reais e não os riscos inventados. Em segundo lugar, é preciso considerar o impacto ambiental do uso de máscaras descartáveis. Em terceiro lugar, é preciso analisar o impacto mental, social e afectivo e compará-lo com o impacto epidemiológico. Só assim se atingirá um benefício máximo, mantendo o risco no mínimo.

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