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Bom Filho

Bom Filho

07 de Abril, 2021

Que máscara usar, para estar protegido da Covid-19?

38.º episódio de «Perspectivas em saúde», na Sinal TV [visitar]

Veja este artigo em vídeo:

Ou leia o texto:

Olá!

Há quase um ano, quando a pandemia de Covid-19 chegou a Portugal, a Direcção-Geral da Saúde dizia que não era preciso o cidadão comum usar máscara, que bastavam as demais medidas gerais, tais como distanciamento e lavagem das mãos. Apenas estava recomendado o uso de máscaras cirúrgicas ou respiradores para profissionais de saúde, consoante o tipo de trabalho que estivessem a fazer.

Entretanto, no início do mês de Abril, a mesma DGS abriu a possibilidade de outras pessoas, além dos profissionais de saúde, usarem máscaras cirúrgicas fora dos serviços de saúde [ver fonte] e, duas semanas depois, emitiu recomendações sobe o uso de máscaras comunitárias, de pano, por qualquer pessoa [ver fonte]. Mais tarde, o uso de máscara tornou-se obrigatório, como parte do plano de desconfinamento, em situações específicas, tais como nos locais com atendimento ao público, nos transportes colectivos e nas escolas [ver fonte], e veio inclusivamente a ser alargada a obrigatoriedade à circulação na via pública, desde que seja impossível manter o distanciamento físico recomendado [ver fonte]. Agora, alguns países europeus estabelecem um novo patamar, banindo as máscaras comunitárias [ver fonte]. Na Alemanha, em França e na Áustria, só de pode usar máscara cirúrgica ou respirador.

Justifica-se uma tal medida também em Portugal? Vamos por partes!

Primeiro: as máscaras são realmente úteis ou não? É preciso lembrar que a DGS dizia que não, inicialmente, e depois mudou de ideias. Andou a enganar-nos antes, ou anda a enganar-nos agora? Nem uma coisa, nem outra.

Em Março do ano passado, não havia máscaras para todos, pelo que era preferível deixá-las para quem realmente precisa, em vez de as açambarcar quem podem passar sem elas. Quem realmente precisa são profissionais de saúde; pessoas com sintomas de infecção respiratória, para não passarem aos outros (mas isto deveria ser uma precaução em todas as épocas de gripe e não só agora que há Covid-19); e doentes: hemodialisados, doentes oncológicos, imunodeficientes, doentes a fazer medicamentos biológicos, etc. Por outro lado, com a máscara, uma pessoa sente-se segura e esquece-se de todas as outras precauções, que são tão ou mais eficazes. Mas já vou falar um pouco mais disto. Entretanto, para concluir a minha ideia, a máscara requer cuidados especiais a pôr, (sobretudo) a tirar e mesmo saber quando trocar; e a verdade é que, se até os profissionais de saúde cometem erros às vezes, imaginemos agora a população geral! Arriscávamo-nos a que fosse pior a emenda do que o soneto e a acabar tudo contagiado pela própria máscara, ao usá-la mal!

Agora, sobre a questão da segurança e do cumprimento das outras medidas preventivas. Os estudos indicam que as máscaras cirúrgicas filtram cerca de 70% das partículas. Portanto, há coisas que conseguem passar. Outros tipos de máscaras, como os respiradores FFP2, filtram até 99%. Mas são mais caros e não há para todos; portanto, reservam-se para os profissionais de saúde em maior risco.

Ficamos então pelas cirúrgicas. Temos mais capacidade de produção de máscaras cirúrgicas do que de respiradores, mas, mesmo assim, não chega para a população toda. Então, reservamo-las para os grupos prioritários que eu já referi. Se sobrarem, não há mal em outras pessoas usarem também. Mas, por favor, lembre-se, de cada vez que usar uma máscara cirúrgica, de que ela pode estar a fazer falta a alguém que precise mais dela.

Além disso, as máscaras cirúrgicas são descartáveis e feitas de plástico [ver fonte]; e tudo o que é descartável e feito de plástico tem um impacto ambiental brutal. De pouco ou nada serve sobreviver a uma pandemia, se for para acabar dizimado pelas alterações climáticas ou esfomeado por causa da perda de biodiversidade e terreno arável. Portanto, devem ser usadas com parcimónia e só se o risco se justificar.

Em termos de risco, as máscaras caseiras, feitas de pano, filtram 30–40% das partículas, segundo os estudos. Por comparação, lavar as mãos reduz a probabilidade de contágio em 70%, tossir ou espirrar para o braço outros 70% e o distanciamento 60% [ver fonte]. Portanto, estas medidas gerais são tão eficazes como as máscaras cirúrgicas e mais eficazes do que as máscaras de pano e devem continuar a ser o esteio da prevenção da transmisssão da Covid-19.

Daí que a conclusão a tirar seja esta: se for uma das pessoas que referi antes (doente com COVID-19 ou seu cuidador, ou outro doente com a imunidade em baixo), use máscara cirúrgica. Se não for uma destas pessoas, deixe a máscara cirúrgica para quem dela mais precisa e use uma máscara de pano. O respirador FFP2 é, em qualquer caso, um exagero, se não for profissional de saúde. Aliás, estas continuam a ser as recomendações da Direcção-Geral da saúde — o que não quer dizer que não possam mudar, à medida que se aprende mais sobre o coronavírus, as suas formas de transmissão e o seu risco de transmissão.

Mas, com ou sem máscara, não se esqueça de que lavar as mãos, não se esqueça de tossir ou espirrar para o braço e não se esqueça de cumprir o distanciamento social, porque isto protege tanto ou mais e é absolutamente fundamental não descurar.

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