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Bom Filho

Bom Filho

10 de Abril, 2021

Reabrir as escolas rapidamente!

41.º episódio de «Perspectivas em saúde», na Sinal TV [visitar]

Veja este artigo em vídeo:

Ou leia o texto:

Olá!

É curioso observar que as perguntas que mais recorrentemente me são colocadas têm que ver com escolas, o seu encerramento durante o estado de emergência e a sua reabertura no desconfinamento; e não é só a mim que essa questão é colocada: o assunto gera manifestos, cartas abertas [ver notícia], artigos de opinião, debates!

O mais curioso é que o assunto é relativamente simples e resumi-o já em duas outras ocasiões [visitar: 1, 2]:

As crianças em idade escolar não são um grupo de risco. Os adolescentes já têm idade para saber usar máscara e manter o distanciamento social — além de que também não são um grupo de risco. Os professores e restante pessoal também não são grupo de risco, regra geral, embora possam sê-lo, em determinadas circunstâncias (isto é, se forem doentes crónicos, ou forem mais velhos), mas isso são situações que têm de ser tratadas individualmente. Ou seja, as escolas não são ambientes, por si sóde risco mais elevado do que qualquer outro local de trabalho.

Por outro lado, encerrar escolas tem múltiplas consequências nocivas. A mais básica de todas é a repercussão nos pais e nas famílias. Se não há escola, alguém tem de ficar com as crianças, sobretudo as mais pequenas, em casa, durante o dia. Se for o pai ou a mãe, é uma baixa no local de trabalho. Se forem os avós, é pior a emenda que o soneto, pois, aí sim, estamos a aumentar o risco para alguém que pertence a um grupo de risco, pelo factor da idade. Mas também tem consequências nocivas para a própria criança, porque confiná-la em casa tem tão graves ou ainda maiores consequências para a sua saúde mental, do que confinar um adulto. Prejudica a sua aprendizagem, porque o ensino à distância não permite explorar da mesma forma as matérias que são ensinadas, nem acompanhar de forma tão próxima as dúvidas e as dificuldades de cada aluno. E contribui para agravar as desigualdades, já que o estatuto socioeconómico pode ditar o acesso a um computador, à internet, a aulas de apoio, enfim, retira à escola a sua função de promotora da igualdade de oportunidades.

Então, se o custo social de encerrar uma escola apenas permite um ganho marginal em termos de saúde, a decisãodesde o início deste ano lectivo, foi de não encerrar escolas, a não ser como medida extrema e em caso de extrema necessidade.

 

Mas também temos de ter noção de que não se fazem milagres. Os planos de contingência e todas as medidas recomendadas pela Direcção-Geral da Saúde reduzem o risco, não o eliminam. Portanto, achar que vamos mandar os filhos para a escola e eles vêm de lá sem Covid-19 é uma ilusão. Da mesma forma que é uma ilusãachar que nós vamos trabalhar e vimos de lá sem Covid-19, ou que vamos fazer qualquer outra actividade da nossa vida diária e estamos isentos de apanhar Covid-19.

Porém, sabemos — e isso é um facto indesmentível, não é só uma opinião — que não tem sido nas escolas que tem ocorrido a maioria dos contágios. Portanto, dentro da insegurançaa escola é dos sítios mais seguros onde se pode estar.

E é por isto que as escolas foram a última coisa a encerrar e são a primeira a reabrir: porque faz muito pior à sociedade fechar as escolas, do que fechar os cafés, ou os restaurantes, ou os cabeleireiros, ou as lojas; e porque há muito menos risco de contágio dentro das escolas do que fora delas. Portanto, se é preciso sacrificar alguma coisa em prol da saúde, que seja tudo menos as escolas.

Repare-se até que, de acordo com o plano de desconfinamento anunciado pelo Governo [ver fonte], as primeiras coisas a reabrir são as que permitem uma mente sã em corpo são: escolas, espaços culturais, ginásios, etc.; só depois vêm as demais actividades económicas. A lógica é sempre esta: primeiro o essencial, depois o acessório.

Se não quisermos uma quarta vaga, é também esta a máxima que temos de continuar a aplicar na nossa vida: fazer o essencial com cuidado, adiar o acessório e ter a sabedoria de distinguir o primeiro do segundo.

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