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Bom Filho

Bom Filho

04 de Agosto, 2021

Vai haver um terceiro confinamento?

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Ou leia o texto:

Olá!

A pergunta que vamos responder hoje é se haverá um terceiro confinamento.

Esta pergunta é mais complexa do que possa parecer, porque envolve a saúde, a política e o direito.

A resposta curta é simplesmente baseada no direito e é não: não haverá um terceiro confinamento! Porquê? Porque, para haver confinamento, é preciso haver estado de emergência; para haver estado de emergência, é preciso o presidente da república declará-lo; e o presidente da república já disse que não iria declarar mais nenhum estado de emergência [ver notícia].

A resposta comprida envolve falarmos um bocadinho sobre para que serve o confinamento. Imaginemos que o Manel tem Covid-19. Não interessa como apanhou, nem onde, nem com quem; tem Covid-19, pronto!

Agora, o Manel vive com a mulher e os dois filhos. Vamos assumir que o Manel está em período contagioso e que contagia a família toda. De manhã, sai de casa, deixa o mais velho na secundária, o mais novo na EB2/3 e vai para o trabalho. O filho mais velho contagia mais dois ou três colegas na secundária, o mais novo outros tantos na escola e o Manel contagia o colega com quem partilha o gabinete. entretanto, a mulher do Manel, que também ficou doente por causa do marido, também vai trabalhar e contagia também dois ou três clientes. Ao final do dia, juntam-se os quatro e vão jantar fora, com mais um casal amigo e os respectivos filhos. Durante o jantar, o Manel contagia o Zé, que é o marido do tal casal amigo, e o Zé acaba por contagiar o resto da família, que até tinha escapado durante o jantar.

Contas feitas, por causa do Manel andar por aí, temos a mulher, os dois filhos, os colegas dos filhos, o colega do Manel, os clientes da mulher do Manel, o Zé e a família — para aí umas catorze pessoas doentes.

Mas, se estivéssemos em período de confinamento, o Manel estaria em teletrabalho e já não contagiaria o colega; os filhos estariam em tele-escola e já não contagiariam os colegas; a mulher estaria também em teletrabalho (ou em casa, se trabalhasse num dos estabelecimentos que encerrou por força do confinamento) e já não contagiaria os clientes; e, claro está, já ninguém iria jantar fora e a família do Zé estaria livre de perigo. Em vez de catorze pessoas com Covid-19, teríamos quatro: o Manel e a família.

Agora, multipliquemos isto por um país inteiro: é assim que funciona o confinamento.

Mas por que é que isto é importante? A Covid-19, apesar de não ser das doenças mais contagiosas que existem, é relativamente contagiosa; e, apesar de não ser das doenças mais letais que existem, pode matar. Mas, pior, pode esgotar os recursos dos hospitais e, se isso acontecer, os hospitais não esticam: se houver mais pessoas a precisar de ir para o hospital do que espaço no hospital para as receber, há pessoas que vão ficar à porta e há pessoas que vão morrer por terem ficado à porta, que, doutra maneira, se tivessem podido entrar, teriam sobrevivido.

Então, é por isso que nós confinamos: nós confinamos, quando o risco de atingir o limite do Serviço Nacional de Saúde é alto.

Na primeira onda, no início disto tudo, na semana em que atingimos o máximo de pessoas internadas — 1.302 —, estávamos com uma média de 698 casos diários. Nos cuidados intensivos, o número máximo de doentes, nessa onda, foi de 271 [ver fonte].

Já na segunda onda, na semana em que atingimos o máximo de internamentos — que foi de 3.367 —, estávamos com uma média de 3.859 casos diários [ver fonte]: cinco vezes e meia mais casos diários, mas apenas duas vezes e meia mais internamentos. Porquê? Porque foram afectadas pessoas mais jovens. Igualmente, muito menos gente, proporcionalmente, nos cuidados intensivos: 536 — nem chegou ao dobro [ver fonte].

Olhemos agora para a terceira onda, já este ano: o máximo de pessoas internadas foi de 6.869 e 904 nos cuidados intensivos, mas, nessa semana, a média foi de 11.887 novos casos diários [ver fonte]. O triplo do número de casos diários, relativamente à segunda onda, mas apenas o dobro das pessoas internadas e cerca de 70% mais doentes nos cuidados intensivos. Já havia pessoas vacinadas e, novamente, mais jovens infectados.

Finalmente, nesta quarta onda, esta semana, a média de novos casos diários foram 3.106, mas não passámos das 928 pessoas internadas e 200 nos cuidados intensivos [ver fonte]. Se isto fosse como a onda anterior, já estaríamos com cerca de 1.800 pessoas internadas e pouco mais de quatrocentas nos cuidados intensivos.

O que é que isso significa? Que as vacinas funcionam, porque a idade dos doentes não se alterou significativamente, em relação à última onda; e isto tem uma implicação prática importantíssima, que é: nós estamos efectivamente a conseguir transformar a Covid-19 numa simples constipação — e nenhum país confina por causa de constipações.

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